22 Março, 2009

O sapo

Parecia improvável, mas ela está lá. E parada.
Trocaram o cenário e o sapo. Só esqueceram de trocar a princesa.
A princesa, ainda cheia de dúvidas, tende a ir embora. Apesar de toda a sua força, suas cores e coro encantadores, ela ainda pensa em desistir. Sonha com aquele “era uma vez” perfeito. A grama verdinha, sol com vento e céu azul.
O sapo não fala, não se sente bonito, não tem vontade de pular e desacreditou que alguém possa transformá-lo em príncipe.
Ela já foi criança, leu muitos contos, e até crescer, sempre achou que bastasse um beijo.
E como se não bastasse para o tempo, passar, ele arde. De criança a princesa crescida, descobriu que um beijo é pouco.
A princesa trocou de encanto. Ela carrega um vidrinho repleto de paciência.
E não tem coragem de virar as costas. Continua lá, parada. Encantada

30 Janeiro, 2009

Era uma vez, dona nuvem. Chegou e disse chamar-se nuvem de lágrimas.
Instalou-se em minha vida por dois longos anos e teimava em não parar de chover.
Às vezes me acertava com chuva de granizo, que espetava, machucava, sangrava e deixava cicatriz. Logo após, optava pela garoa, pra dar tempo de cicatrizar até cortar de novo. E só chovia.
Eu, do meu canto, chamava o sol, dançava o sol, sorria o sol.
O sol não vinha.
Fiquei cansada de pisar na lama e sujar os pés, porque tava tudo sempre alagado.
Resolvi comprar um par de botas.
O sol apareceu.
E quando resolvi tirar as botas, cansada do calor nos pés, choveu de novo.

09 Abril, 2008

Biclicletas ao vento
Você que anda sempre do lado esquerdo da rua. Você que tem cuidado ao pisar no chão, para o caso de ter uma flor caída. Você que se derrete com os cachorrinhos de sapato, e também com os descalços. Você que pede por favor. Você que agradece, não com “obrigado”, mas com “muito obrigado”. Você que gosta de piano e violão. Você que chora quando a sua mãe chora. Você que abraça apertado. Você que corre desesperadamente em sua direção quando encontra aquele amigo. Você que paga um lanche. Você que gosta de verde. Você que gosta de rosa. Você que gosta de cores.
Eu gostaria de encontrá-lo num dia desses de sol, quem sabe um feriado. Será que você também gosta de praia? Se não gostar, não tem problema. Eu também gosto de dias frios, mas sem chuva. Se chover, a gente fica em casa. Então, a gente conversa sobre a vez em que construí um castelo. Ele era feito de plumas, pontes e galhos. Não era como esses que ficam parados no mesmo lugar, ele andava junto com a vida. Eu usava as plumas para descansar, as pontes para ultrapassar e os galhos para me esconder. Com o tempo, não precisei mais dos galhos e passei a usar só as pontes, pois a vida arde, e passa tão rápido, que é preciso chegar na frente. Depois de mais algum tempo, não quis mais ser o primeiro lugar. Era uma delícia olhar, mesmo de longe, os primeiros passos do menino mais bonito. O que sorria com os olhos e chorava com as mãos.
Queria te apresentar a ele. Dizer-te seu nome e mostrar o quanto ele cresceu. O menino das mãos macias tropeçou, repetiu e caiu. Ofereci-lhe muitas vezes, uma de minhas pontes, porém, em muitas e muitas delas, ele recusou. Passaram alguns anos, e quando ele finalmente cresceu, aprendeu a andar, comprou uma bicicleta e me ofereceu a garupa. Só assim compreendi que sem dor, não há aprendizado, e você pode esbarrar conosco sempre que quiser. Cabelos ao vento, do lado esquerdo da rua.

04 Setembro, 2007

- Me perdoa?
- Não.
- Por que?
- Primeiro preciso perdoar a mim. Ninguém erra sozinho.
- Mas quem errou fui eu. Me desculpa?
- Eu errei quando segurei a sua mão mais uma vez.


(..) e virou-se.

22 Julho, 2007

Inéditas
Depois de tanto tempo, eu sei que deveria ter mais que duas mãos cheias de frases pra abrir por aqui. Acontece que o tempo passou, e passou mesmo. Passou o tempo em que elas se reviravam no estômago, faziam cócegas e se transformavam em sorrisos desacompanhados de consequência. Passou inclusive aquela série de dias em que elas se descontrolavam, entravam em ebulição e faziam meus olhos de escorrega. Mas olha, o amor não passou, porque eu prometi que amor não passa, e te ensinei que o meu vai estar sempre aqui.
Só, por favor, não me deixa sozinha, segurando o que é pra ser seu, que não vou deixar nas mãos de outro, porque só cabe nas suas, como se fosse feito sob medida. E não chora! Eu adoro lembrar do seu sorriso! Seu sorriso bocejo, o único que faz o mundo imitá-lo no segundo seguinte.
Ora, se a gente pudesse voltar no tempo?! Ah, eu já tenho certeza absoluta do que faria. Te daria os beijos em dobro, as gargalhadas um tom acima e os abraços com muitos newtons a mais. Mas quem foi que falou em se arrepender por aqui? Será que eu tenho o direito de não me arrepender de viver? Talvez a maioria das pessoas ainda não tenha se dado conta, mas a memória também pode ser feita de grandes momentos, e foi assim que eu escolhi pra ser com você. Dias tristes?! Quem se lembra deles? Quem sabe as pessoas tristes tenham respostas, mas eu nunca fiz a minha carteirinha do clube.
Olha pra mim? Viu como os dias passaram? Eu fiquei tão colorida! E foi tudo culpa nossa. Claro que eu to te incluindo! Porque não teria feito nada sozinha. Eu não teria ido buscar as latas de tinta se os dias não estivessem ficado cinzas de vez em quando. Algumas vezes eu até misturei uma cor na outra.... e ficou tão bonito, que comprei uma tela novinha, pra preencher dizendo que te amo, em cores inéditas.

16 Maio, 2007

Faz sentido?
De vez em quando ela resolve parar de sofrer. Ensaia os sorrisos do fim de semana, as gargalhadas do meio-dia, mãos quentes, peito frio e deixa o mundo um tanto mais tranqüilo só de vê-la dançar entre as luzes coloridas do fim de noite. Ela poderia guardar dentro de potes coloridos todas as passagens com destino ao país das maravilhas que ele entregara tantas vezes, deixar tudo trancado e intocável, mas não. Queria repetir quantas vezes o tempo permitisse. Talvez quisesse repetir um sonho que só ela conhece. Ela que desconhece o que é ser despedaçada por ele, que reconhece o que é estar desmanchada, toda juntinha e derretida no chão.
A menina visita o mesmo país todos os dias. E lembra de como era ter bonecas pra ser invencível na brincadeira. Ela adorava os livros mágicos, porque quando virava a página trombava com o final feliz. Foi só fechar os olhos e realizar o tempo, então o sorriso tímido foi se tornando largo e firme, porque é exatamente assim que as letras sempre pedem que ele permaneça, inabalável. Ele lê as mesmas bagunças todos os dias, e respira os suspiros de confusão que passaram a fazer parte daquela sensação inexplicável. Uma coisa que não sabe ser nada além de amor. Amor além do convencional, dos que não se explicam com frases feitas. Um desses que por acaso ela nunca tenha experimentado.
De vez em quando ela resolve voltar a sofrer, de vez quem em quando ela resolve virar uma que ainda não existiu, de vez em quando divagar, de vez em quando desistir de ser confusa.
A menina deu um tapa na loucura, sossegou o coração e olhou os potes coloridos de cara feia. Todas as suas angústias foram passear e só vão voltar quando ela tiver dois olhos no caminho, provavelmente encharcados de saudade e soluços.

19 Abril, 2007

O ensaio nunca foi tão demorado pra começar uma linha. Essa linha que se prolonga por todo o dia, e porque não dizer por todos os dias desde aquele nosso aceno de até breve, mesmo que em pensamento. Talvez não tenha ficado tão claro o diâmetro do buraco que se fez por conta da minha falha, aquela coisa de não ter estado lá, bem no seu último dia mais perto. Eu queria que aquele dia tivesse um pouco mais do que as horas tradicionais, pra que você pudesse ter ficado, ao menos nele, com o meu perfume. Que chegasse nesse lugar até então desconhecido, com alguma coisa delicadamente familiar.
Pena. Os ponteiros do meu relógio até obedeceram, mas o sol teimou em se pôr no mesmo horário, parece que a lua tinha pressa, e não quis esperar o meu último suspiro de amor te alcançar, a minha última mão no seu rosto.
Enquanto isso eu fico aqui, tentando explicar pra um mundo lotado de ninguém, quantas vezes ao longo desse tempo interminável, eu lembro que existe uma parte de mim espalhada pelo mundo, uma parte que volta sempre, que vem visitar os meus sonhos, que não pode reparar nos meus olhos fechando pra vir fazer morada no fundinho deles. Um lugar que certas vezes troca por colorido, mas isso é só quando ele se veste de você. Você que nunca foi embora, e vem me encontrar todos os dias.
Como é que se pede pra voltar, alguém que nunca foi? Quem sabe mudando a frase. Quem sabe pedindo colo. Certamente seria esse meu lado egoísta levantando cartazes fluorescentes, mandando o recado que o coração não sossega enquanto não contar por aí: a falta enorme que faz, sentir saudade e poder fazer alguma coisa pra acabar com ela.

25 Fevereiro, 2007

Ando reparando mais no chão. Ando de passos mais curtos. Tudo por causa do medo de pisar nos pedaços de mim. Certas vezes me deparo com pequenos fragmentos pelas ruas, que me olham pedindo pra voltar.
Ando pensando em como seria voltar a ser inteira, e só consigo continuar a andar. Ando pensando em comprar pedaços novos e encaixar no lugar dos buracos. Ando pensando ainda, que nunca soube lidar com compras. Os últimos capítulos só me ensinaram a doar, sem receber nada em troca.
Eu queria ter um monte de palavras novas pra contar, adoraria vê-las pular fazendo zorra no papel, mas infelizmente as pobres se esconderam em algum lugar. Talvez prefiram ficar em segredo, talvez tenham cansado de ir sem esperança de voltar pra casa. Quem sabe elas se cansaram de fazer esse trajeto inútil e curto, o trajeto de quem não é capaz de ouvir os ruídos que, mesmo arranhados, tocam aquele pedaço que fica dentro do peito.
Eu tentei aprisionar aqueles ouvidos usando o tom mais doce, e até hoje, só consigo ouvir o seu silêncio.

21 Janeiro, 2007


"(...)Porque ao longo destes meses,
Em que eu estive sem você,
Eu fiz de tudo pra tentar te esquecer.
Eu já matei você mil vezes,
E teu amor ainda me vem,
Então me diga
Quantas vidas você tem?"


Moska

Sempre ele...

02 Janeiro, 2007

Um número novo. Aprendi com Drummond que um número novo faz a vida de muita gente se encher de esperança. A chuva veio trazendo o número e todas aquelas luzes coloridas enfeitando o céu, acompanhando as bolhas subindo pelos copos que fazem “tim tim”. Aqui por dentro eu reconhecia diversos abraços imaginários. As letras que vinham logo após o bip desejavam sorte com o número ímpar, e eu, enquanto pensava no seu abraço, respondia entregando todo o amor que eu guardei pra ser singular, e agora anda se espalhando pelos cantos.
Precisou ser assim, pelos cantos, porque ele alcança distâncias tão grandes que seria capaz de viajar sem tempo, espaço ou rumo. Precisou parar na parede pastel quando fosse dia, ou entre luzes vermelhas quando fosse noite. Levou a menininha de dois anos a um passeio incrível, o meu amor. Rolou pela grama junto com a bola de futebol, se afogou no copo de cerveja geladinho, entrou na piscina, foi até o sol, conversou com a nuvem que o escondia, esperou a noite, deu uma volta ao redor de Plutão e voltou meia-noite pra dizer que ainda faltava o seu abraço, que mesmo passando por esse mundo inteiro, não tem número que apague o seu.



Perdão pela falta de palavras, esse mês estou colecionando sorrisos, pra fazer as máscaras do carnaval...

Like Jenny Wren....


Like so many girls, Jenny Wren could sing.... But a broken heart, took her soul away..... Like the other girls, Jenny Wren took wing..... She could see the world, and it's foolish ways...... How, we, spend our days, casting, love aside....... Loosing, site of life, day, by, day...... She saw poverty, breaking all the home ......Wounded warriors, took her song away....But the day will come, Jenny Wren will sing.....When this broken world, mends its foolish ways....... Now we, spend our days, catching, up on life...... All because of you, Jenny Wren

( Paul McCartney )

09 Dezembro, 2006

Volto aqui, apesar de nunca ter saído. Volto esta noite pra contar dos caminhos cruzados. Volto pra dizer que talvez alguém tenha atravessado a linha pontilhada, aquela que se fez em volta de gente. Aquela que você atravessou tantas e tantas vezes, e eu ali parada, esperando que você voltasse.
Você sempre volta. E eu aqui parada, esperando as suas costas se transformarem em peito. A nuca se transformar em boca.
Em um desses dias de passeio, eu no meu banquinho lendo um conto, você contando estrelas, você por aí contabilizando outras estrelas.
Entrou alguém aqui e me mostrou o último parágrafo. O que eu nunca quis ler, porque sempre que você voltava eu retomava o início, pra não dar tempo da saudade se fazer desacompanhada, pra se construir em letras e sons. Os sons que eu ensaiava pra te vestir de transparências, pro mundo te enxergar melhor. As letras que me faziam analfabeta.
Entrou alguém enquanto as suas voltas demoraram um pouquinho mais.
Entrou alguém e me pôs entre os dedos. Escorreguei entre eles e fui te encontrar mais uma vez, do lado de fora.

26 Novembro, 2006


1, 2, 3, 4, 5 ..... cansei!

19 Novembro, 2006

aniversário dele, dele aqui embaixo

Quem sabe eu devesse procurar as palavras mais lindas pra desejar um pouco mais de alegria pra você e um pouco menos de saudade pra nós. O fato é que você precisava encantar mais gente, essa gente de longe. Você precisava despertar essas gargalhadas todas, algumas paixões, amigos, rum, música nova, música velha, boa música. Precisava experimentar um sol que arde mais, e quando voltar, continuar a ensinar o amor.
Você nasceu hoje, você nasceu há 23 anos atrás, você faz parte de mim e de quase todas as minhas páginas, então, se juntar todos os abraços que receber aí te garanto que não dá unzinho meu. Te amo, te espero.

E aí? Você sabe guardar segredos? ;)

12 Novembro, 2006

Estamos em casa, eu e minha calça de moleton surrada. O dvd que estava só, na mesa da cozinha, resolveu nos acompanhar por aproximadamente duas horas. E o que são duas horas diante dos milhares de minutos que você ocupa dos meus dias? Você está no computador, na função aleatória do rádio, no almoço de domingo, é você passeando com aquele cachorrinho na rua, no ensaio, maracanã, você é também o menino jogando futebol de areia, inclusive assistiu o filme aqui no meu sofá.
Uma música se repete enquanto eu afundo os dedos no teclado, aquela que faz lembrar você. Com o tempo, todas as músicas lembram você. Ficou difícil até cantar parabéns, porque no próximo aniversário o seu abraço vai estar longe.
Uns dias são mais duros, vazios feito aquele último copo antes do nosso até logo.Um logo que demora feito adeus. O que me resta além de tentar te alcançar quando fecho os olhos? Muitas vezes é por você um segundo, é por você que fecho os olhos. E felizmente me sinto leve quando penso em quantas vezes eu disse que te amava. Te amo enquanto passa o tempo, enquanto esse tempo não passa. Enquanto eu vivo procurando as palavras mais certas pra dizer o tamanho da falta. Vou aproveitar a estação das flores pra tapear esses espaços que se fizeram por aqui, quem sabe com o perfume eles deixem de se preocupar em crescer nessa velocidade toda. Mas hoje foi um dia gelado e de vento forte. As flores se espalharam e o perfume dispersou. Os espaços sentiram frio e precisaram ser maiores. Tudo bem, eu espero o calor voltar, eu espero os seus olhos e cabelos castanhos.

09 Novembro, 2006

Muitas páginas de Clarice invadiram-me a vida nos últimos dias, umas que oscilam entre riso contido e um choro sem pressa. Cada palavra fez pensar mais e mais. Mais um quê de lembranças que não sou capaz de segurar. Queria poder abraçá-las tão forte a ponto de esmagar sobre o peito e derramar suco de lembranças no colo. Ops, lá vem você. Encheu nossa jarra de momentos cor de rosa e me ofereceu um copo.